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Guerra, Estratégia e Armas


Sexta-feira, 03.02.17

Rússia Invade a Ucrânia

 

Esta manhã, entrou na região ucraniana de Dombas que inclui Donetsk e Lugansk uma poderosa coluna russa de 32 tanques, 30 transportes de infantaria e material e 16 peças rebocadas de artilharia de longo alcance e elevado calibre.

Os russos iniciaram o bombardeamento das linhas ucranianas com resposta dos tanques e artilharia da Republica da Ucrânia, nomeadamente da cidade vizinha e industrial na posse do governo de Kiev, Awdijiwka, que recebeu tiros de mísseis e artilharia, tendo sido anunciadas 20 baixas ucranianas. Nesta cidade, a sua siderurgia deixou de produzir por não estar garantido o abastecimento de carvão e por o stock disponível estar a ser distribuído à população para aquecimento de lareiras e fogões a carvão, dado que as linhas elétricas e tubagens de gás estarem a ser destruídas pelas tropas às ordens de Putin. Entretanto, o governo de Kiew não vê outra solução que não seja a evacuação de toda a população de Awdijiwk para não morrerem todos congelados.

Putin está a cometer um crime de guerra e ao fazê-lo está a confirmar que possui dados sobre Trump que o permitem chantagear porque a serem publicados provocarão um rápido “impeachment” de Donald Trump.

A guerra iniciada por Putin começou a uma temperatura exterior de -20ºC, tendo a artilharia ucraniana apontado à grande coqueria de Lugansk que produz gás de cidade (à base de carvão) a toda a região, o que já provocou um abaixamento das temperaturas internas das casas para 15º C positivos, mas a destruição dessa instalação pode ser uma catástrofe porque a temperatura exterior levará a que as tubagens de aquecimento sofram importantes estragos para cuja reparação será necessário um cessar-fogo e várias semanas ou meses de trabalho numa época em que a temperatura raramente sobe acima dos -15ºC.

Um repórter britânico foi ferido, enquanto o pessoal da televisão alemã e francesa foi prontamente retirado.

Tudo indica que Putin está a testar Trump e que este não está satisfeito com a agressão russa, tendo há momentos a representante da administração de Trump no Conselho de Segurança pedido um imediato fim das hostilidades e retirada dos russos em cumprimento do tratado de cessar-fogo acordado no passado dia 5 de Setembro de 2016.  

Ainda esta manhã, o presidente ucraniano Poroshenko pediu novamente a imediata adesão da Ucrânia à Nato ou à União de Defesa Europeia como condição única para a sobrevivência da Ucrânia como República livre e independente.

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por DD às 17:22

Sábado, 27.08.16

Dieter Dellinger: Ucrânia - 25 Anos de Independência

 

 

A Ucrânia festejou há dois dias os seus 25 anos de independência depois de um longo período de domínio e até escravidão de uma parte da população e dos famosos genocídios de 1930 a 1938.

Recordo que há muitas décadas atrás, publiquei um artigo no Diário de Notícias em que dizia que a independência de S. Tomé e Príncipe é o fim da União Soviética. Muita gente achou que estava doido, mas eu não me referia a qualquer relação entre as duas nações, mas sim ao princípio estabelecido a nível mundial de que os povos querem ser independentes, sejam grandes ou pequenos e mal sabia ainda que nações fictícias como a Jugoslávia e a Tcheco-Eslováquia se iriam também partir em unidades correspondentes aos povos que as compõem.

A Ucrânia é a maior nação europeia, na medida em que a Federação Russa, é maioritariamente asiática sob o ponto de vista geográfico. Após a perda da Crimeia, a Ucrânia ainda abrange uma área com 577 mil km2, o que é praticamente o tamanho da Península Ibérica e contém cerca de 45 milhões de habitantes, sendo rica em terras agrícolas, minas de carvão e muita indústria que tem atravessado uma crise pela chantagem contínua perpetrada pela Federação Russa quanto ao fornecimento de petróleo e devido à imprevidência soviética, a gigantesca central nuclear de Tchernobil não pode fornecer a energia elétrica que o país necessita.

Teoricamente, a Ucrânia teria vantagens em associar-se à Rússia, mas não há ninguém na população ucraniana que não tenha um antepassado assassinado pelo estalinismo nos dois grandes genocídios de 1930-1934 e 1930-1938.

Para financiar a industrialização da URSS, Estaline apoderou-se dos cereais ucranianos e exportou-os em grande parte para a Alemanha, a fim de pagar as modernas máquinas e altos-fornos da nova indústria produtora de aço e de produtos metalúrgicos. Os camponeses ucranianos morreram à fome em grande quantidade e milhões foram deportados para a Sibéria.

Há anos, o parlamento russo (Duma) reconheceu oficialmente o monstruoso crime e aprovou um pedido de desculpa e solidariedade eterna. As desculpas foram aceites, mas a solidariedade ficou nas gavetas, apesar dos ucranianos terem cometido o “erro” de entregarem os 1272 mísseis nucleares que tinham no seu território aos russos e que alguns foram fabricados na própria Ucrânia e, naturalmente, com muitos recursos económicos ucranianos. Entre esses mísseis, contavam-se 130 intercontinentais com 6 ogivas termonucleares cada e que poderiam atingir qualquer ponto do Globo.

Os ucranianos quiseram mostrar aos russos que pretendiam uma independência pacífica sem qualquer perigo para os russos. A entrega foi feita ao abrigo do Memorando de Budapeste assinado a 5 de Dezembro de 1994 entre a Rússia e Ucrânia com as restantes potências nucleares na qualidade de garantes do cumprimento do mesmo que previa o não ataque à Ucrânia direta ou indiretamente por parte de qualquer nação do Mundo, visando-se aqui principalmente a Rússia que não cumpriu e conquistou a Crimeia e instalou com as suas forças disfarçadas de insurgentes a República de Donetsk na fronteira entre os dois países.

Foi um erro colossal. Hoje em dia, a independência de qualquer nação do Mundo baseia-se na posse de armamento nuclear ou numa aliança com potências que possuam esse armamento. Vê-se hoje como a China se está a expandir para as águas das Filipinas, Vietname, Tailândia e ouros países sem armamento nuclear e não integrados numa aliança tipo Nato com outras nações.

Uma Ucrânia com os tais 1230 mísseis receberia o gás russo quase de graça e Putin nunca se teria atrevido a conquistar a Crimeia e a chamada República de Donetsk e expulsar dali todos os ucranianos, roubando-lhes as casas, móveis, carros, contas bancárias, etc.

A Ucrânia entrou em crise porque as suas fábricas de aviões (Antonov), mísseis e ogivas nucleares fecharam e até foram desmanteladas, tendo muito ucranianos emigrado. Em Portugal estarão uns 40 mil ucranianos, segundo o SEF.

Conheço um engenheiro a viver em Portugal que trabalhou numa fábrica ucraniana de ogivas nucleares e disse-me que Putin brinca com o fogo, pois já no tempo dele se faziam experiências de enriquecimento de urânio em U-235 para o tornar explosivo com base em raios laser em vez dos morosos centrifugadores. Com os lasers pode ser possível fabricar dezenas de armas nucleares por mês.

Qualquer política que assente na guerra com potências é uma corrida para a morte, dado que as armas modernas, mesmo não nucleares, não permitem a guerra.

A Ucrânia tem em torno do pequeno território de Donetsk mais de 100 mil homens bem armados com tanques, artilharia e muitos mísseis antitanques pequenos para enfrentar as novas divisões blindados que Putin está a instalar no outro lado da fronteira. Há revistas militares como a francesa DSI que dizem que os ucranianos estão a receber ou já receberam mais de 2 mil mísseis antitanques e outros tanques antiaéreos. São armas que tornam a guerra impossível ou excessivamente cara para quem queira atacar em força.

Contudo a Rússia tem um exército de mais de 800 mil homens e muito mais material moderno, pelo que sem a ajuda da Europa, a Ucrânia pode perder a sua independência.

Os ucranianos têm um exército de 204 mil homens acrescidos de uma Guarda Nacional de 60 mil homens (tipo GNR) e 53 mil guardas fronteiriços, mas podem mobilizar mais de meio milhão de combatentes equipados com, pelo menos, 10 mil armas direcionadas a alvos específicos, contra as quais as novas divisões blindadas russas instaladas perto de Rostov nada poderão fazer.

Ao longo da fronteira foram instalados campos minados e o exército possui milhares de mísseis antiaéreos e antitanques que podem facilmente cobrir um avanço sobre Donetsk. O resto da fronteira com a Rússia está minado e ninguém sabe se a Ucrânia não estará a fabricar secretamente bombas nucleares táticas para evitar que a Rússia tenha a veleidade de usar as suas contra os ucranianos.

Claro, não acredito numa guerra e não vejo Putin conseguir ocupar o território ucraniano que liga à Crimeia através da cidade de Mariopol, dado que também os russos sofrem com a crise económica provocada pela queda do preço do petróleo.

Em caso de agravamento da crise política entre a Rússia e a Ucrânia, os americanos podem fazer descer o petróleo para 30 dólares o barril, deixando o orçamento russo sem dinheiro.

A Ucrânia conheceu duas revoluções populares até se instalar um regime semipresidencialista que começa a combater a corrupção que surgiu sempre que um regime comunista caiu e ninguém sabe a quem pertencem as indústrias e bens do Estado.

Tudo indica que o futuro da Ucrânia será brilhante. Os seus inimigos não têm dinheiro e os amigos têm as contas cheias.

Nota Curiosa: O conhecido pudim de claras de ovo denominado Molotov está, como tal, associado ao nome do homem que organizou ao serviço de Estaline a maior fome alguma vez provocada artificalmente por seres humanos contra outros na Ucrânia e depois foi na qualidade de Ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS de Estaline o signatário com o homólogo alemão Ribbentrop do Pacto Germano-Soviético que permitiu a Hitler invadir a Polónia e, como tal, iniciar a maior guerra mundial de sempre na História da Humanidade.

Molotov na tem nada a ver com o referido pudim ou qualquer comida que foi uma criação de um cozinheiro russo chamado Malakov do fim do Século XIX e início do XX que, além de muitas receitas, criou também muitas espécies vegetais comestíveis porque era também um gande horticultor e serviu o último Czar russo, assassinado com a família pelos bolcheviques às ordens de Lenine e reabilitado há poucos anos por Putin e pela Duma (Parlamento) russo.

Também Molotov nada tem a ver com o célebre cocktail Molotov que foi uma invenção finlandesa para se defenderem dos tanques sociéticos quando em 1939 Estaline mandou as suas tropas invadir aquele antigo grão ducado da "Prisão de Nações" que era como Lenine denominava o Império do Czar.

Os finlandeses chamaram cocktail Molotovo por este ser chefe da diplomacia estalinista que, como todas as diplomacias, está habituada aos cocktails.

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por DD às 20:52


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