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Guerra, Estratégia e Armas



Sexta-feira, 27.03.15

Dieter Dellinger: Caos no Médio Oriente e Península Arábica

 

Soldado Saudita com a arma automática alemã G-36 

 

 

No Médio Oriente parece que todos combatem todos. Por um lado, o Estado Islâmico procura pelo terrorismo derrotar os governos da Síria e Iraque, apoiando-se nos sunitas que foram sempre explorados pelos xiitas, portanto do culto observado pelo Irão, apesar de serem maioritários no Iraque e minoritários na Síria onde detiveram o poder através da ditadura dinástica dos Assad.

A norte, os curdos procuram a independência em combate contra o terrorismo islâmico e a sul, os iranianos apoiam o governo iraquiano que pretende ser representativo de xiitas e sunitas e até curdos numa nação quase laica que é algo que sunitas, xiitas e terroristas islâmicos não querem.

Se a norte a guerra continua com violência, apear do abrandamento do avanço em Tikrit para evitar baixas excessivas, a sul da Arábia Saudita rebentou um novo conflito com o golpe de estado da minoria xiita do Iémen que expulsou do seu palácio em Samarra o presidente Abd Rabbu Haddi, agora refugiado na cidade portuária de Áden, declarada entretanto capital o Iémen pelo presidente deposto.

O Iémen é um país árido e pobre com 23 milhões de habitantes em cerca de 527 mil km2, que quase não conheceu a Paz interna desde a independência da parte sul que estava na posse da Inglaterra.

Os aviões do CCG “Conselho de Cooperação do Golfo” ( Arábia Saudita, Emiratos, Kuweit, etc.) bombardearam posições dos rebeldes xiitas Houthi do Iémen para evitar o seu avanço para sul com a consequente conquista de Áden. Estes rebeldes são apoiados pelo Irão que sonha em tirar aos sunitas waabitas da Arábia Saudita o domínio da península árabe com as cidades Santas de Meca e Medina, onde o profeta Maomé deu a conhecer a palavra de Alá. Por outro lado, também os terroristas do “Estado Islâmico” acalentam o sonho de dominarem as referidas cidades. Para todos, o chamado “Vaticano” dos muçulmanos é de importância vital, mas está desde há muito nas mãos da monarquia saudita que entronou um novo monarca, Salman bin Abdulaziz, ex-ministro da Defesa, em cujo ministério colocou o seu jovem filho de 34 anos, mostrando que os assuntos militares continuam de certo modo a ser decididos pelo novo monarca saudita que não é uma figura decorativa como nas monarquias europeias, mas sim o governante máximo não eleito. Rei pela graça de Alá.

Desde as incursões dos xiitas Houthi contra a capital do Iémen, Samarra, que os sauditas iniciaram medidas defensivas na sua longa fronteira de 1.700 km com o seu vizinho a sul e começaram a construir uma barreira separadora semelhante à que têm com o Iraque. Isto mostra que os sauditas, aliados dos EUA, não têm pretensões expansionistas, mas não querem ser conquistados pelo Irão através de forças terroristas. Contudo, segundo o atual ministro da Defesa, a barreira ainda levará uns dois anos ou mais a ser concluída por passar por zonas montanhosas e áridas de difícil acesso em que muitas tribos passam de um lado para outro nas suas atividades normais.

Os sauditas, para já, cessaram toda a ajuda financeira ao Iémen semigovernado pela minoria Houthi, pelo que deverá ser o Irão a ser o financiador de um estado sem petróleo significativo e sem condições agrícolas suficientes.

Surgiu, portanto, uma situação mais conflitual que no passado recente entre sunitas árabes e xiitas iranianos e árabes também, o que levou o petróleo a subir de preço, dado tratarem-se de grandes produtores do ouro negro. O conjunto Concelho de Cooperação do Golfo mais o Irão devem extrair mais de metade do petróleo mundial.

Saliente-se ainda que o Iémen domina o estreito de Bad al-Mandab de entrada no Mar Vermelho desde o Índico e que possui uma importância vital no tráfego, tendo do outro lado do estreito a pequena República do Djubi e o Estado falhado que é a Somália. Trata-se pois de uma zona de pirataria marítima, agora mais reduzido devido à presença constante de navios de guerra de diversas nações.

As nações do CCG estão fortemente armadas com o que há de melhor. As tropas da Arábia Saudita utilizam a arma automática alemã G-36 que é aí fabricada sob licença e a pistola-metralhadora P-1, além de tanques Leopard 2, aviões F-16 e Eurofighters que parece que ainda foram utilizados.

Os sauditas dispõem de 150 mil homens bem equipados e prontos a penetrarem no Iémen, sendo pouco provável que o Irão consiga levar rapidamente uma força semelhante para a região, tanto mais que os sauditas têm como aliados o Egito, a Jordânia e o Paquistão, além dos países do Golfo.

O Irão antes de ter a bomba atómica não se vai meter em aventuras militares diretas, só que depois de a ter os EUA podem fornecer aos seus aliados a bomba B61 bem antiga, mas que pode levar quantidades mínimas de urânio cindível e trítio fundível de modo a produzir explosões inferiores a 10% da produzida pela bomba de Hiroshima, o que em regiões desérticas será suficiente para eliminar unidades militares, mas não para causar grandes danos colaterais, nomeadamente vítimas civis.

Mas, de qualquer modo, a utilização da arma nuclear será sempre um suicídio mútuo porque qualquer ataque inicial seria seguido de retaliações e existem armas suficientes para tornar impossível qualquer ameaça credível e, menos ainda, conseguir algum resultado prático.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por DD às 17:03


1 comentário

De Carlos Jardim a 07.05.2015 às 12:27



Excelente texto, continue com este blog que ultrapassa o noticiário das televisões e jornais.
Cumprimentos
Carlos

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