Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Guerra, Estratégia e Armas



Sábado, 23.03.19

O Fim do Estado Islâmico (Daesh)

 

Com a queda do último reduto jihadista de Baghus, o Estado Islâmico desapareceu como um futuro califado que deveria repetir a proeza de Maomé e conquistar todo o Médio Oriente, O Norte de África até à República Centro Africana e, talvez, converter todas as populações africanas até à Namíbia e África do Sul, passando por Moçambique, Angola, Zambia, Bostwana, etc.

Nos sonhos do seu líder estaria a reconquista das terras de Al-Andaluz ou Andaluzia, Algarve e quase toda a península ibérica.

Os jihadistas organizaram uma guerrilha bem treinada a partir do grupo Al-Qaeda que atuava no Iraque e conseguiram num ataque surpresa conquistar a cidade iraquiana de Mossul e pôr em fuga todos os soldados de uma ou duas divisões, apoderando-se do armamento e de um vasto stock de munições. Com isso fizeram uma guerra com bastante êxito até se esgotarem as munições e muito material ser destruído. Com o contrabando de petróleo para a Turquia, vendido a metade do preço conseguiam, aparentemente, comprar munições e algumas armas até os turcos fecharem as fronteiras e as forças aéreas ocidentais destruírem camiões tanques e poços de petróleo.

Derivados da Al Qaeda, mas muito mais agressivos e cruéis té à barbárie extrema com a mania de degolarem os seus “inimigos” muçulmanos, pecando assim contra os ensinamentos do Alcorão que proíbe a matança de outros muçulmanos. Os jihadistas começavam por recusar o caráter muçulmano a todos os militares iraquianos, sírios, curdos, etc., cometendo o erro que uma força guerrilheira inicialmente não deve fazer que é recusar a conquista moral e ideológica das populações. Só o terror não chega e causa uma repulsa sob a forma de combatentes inimigos.

Nos seus ataques, os jihadistas utilizaram muito o “Google Map” para verem o ponto em que uma viatura suicida cheia de explosivos iria forçar a entrada numa cidade ou espaço defendido. A Google deve encriptar as suas emissões para zonas de guerra para não fornecer todos os meios de reconhecimento quase à borla.

Depois com o combate no deserto, a situação tornou-se diferente porque as forças opositoras passaram a disparar à distância com metralhadoras pesadas ou canhões automáticos e, além disso, utilizavam bombas inteligentes guiadas por infravermelhos e comando à distância televisivo que perturbavam o abastecimento, obrigando os jihadistas a andarem de mota e dispersos de modo a que cada bomba não fazia grandes estragos mas prejudicavam a logística e qualquer força em combate com armas automáticas necessita de uma logística extremamente importante. Por isso, uma guerrilha necessita do apoio de uma potência que lhe possa fornecer tudo o que necessita. As modernas tecno-guerrilhas podem utilizar armamentos portáteis antitanques e antiaéreos extremamente poderosos, mas de fabrico só disponível pelas grandes potências. Por isso, os jihadistas acabaram sucumbidos e acabam as guerrilhas do Boko Haram quando deixarem de ter o stock logístico acumulado antes do início dos combates. Podem continuar com um tiro de vez em quando que pode matar e perturbar, mas não ganhar um conflito.

 

A derrota dos jihadistyas não foi uma vitória do ditador Bashar-al-Assad, presidente não eleito da Síria desde 2000 e filho do anterior ditador Hafez que esteve no poder durante 30 anos até morrer, mas sim da Forças Armadas Democráticas da Síria aliado aos fortíssimos combatentes curdos, os Peshmergas, apoiados pela aviação americana e francesa com algumas forças especiais dos EUA e artilharia vinda da França.

Nem as tropas iranianas confinadas no sul da Síria nem os russos aquartelados numa base naval e aérea síria entraram verdadeiramente em combate. Os turcos também se amedrontaram ou o atual ditador necessita de todas as suas forças para prender dezenas de milhares de intelectuais, funcionários e quase toda a população instruída do seu país.

Assad terá agora que negociar com o exército democrático e com os curdos ou deixar ambos ocuparem uma parte do norte da Síria dividido numa espécie de república democrática e num pequeno prolongamento do Curdistão iraquiano que existe de facto como nação independente, mesmo que não reconhecida pela comunidade internacional.

O ditador governa hoje uma grande parte da Síria destruída com quase meio milhão de mortos, todas as cidades feitas em cacos e mais de dois milhões de refugiados, ou seja, quase todas a classe média não ligada ao poder de Assad. Ninguém lhe dará apoio económico sem se sujeitar à democracia e aceitar o regresso dos refugiados sem vinganças, acabando com as suas polícias torcionárias secretas.

O fim do Califado não será o termo do terrorismo. Muitos dos jihadistas fugiram para o deserto depois das violentas batalhas de Mossul e Raqqa e outros grupos formaram-se nas “willayats” (províncias) do Califado que se estendem ao deserto do Sinai onde combatem as tropas egípcias, prolongando-se pelo Cáucaso para combater os russos, indo à Argélia, Banda do Sahel em África até ao Iémen, Filipinas, etc.

Por último saliente-se que estão na Europa. Aqui a guerra nem necessita de armas. Um só radical islâmico num camião pode matar civis que passeiam em Nice ou atropelar alemães numa feita de Natal em Berlim.

Um anti-islâmico pode matar 50 muçulmanos na Nova Zelândia enquanto um turco mata os ocupantes de um elétrico na Holanda.

Em termos militares, essas ações não levam a nada e exigem apenas mais polícia e mais investigação secreta sobre quem é muçulmano e quem se mostra radicalizada com um sucesso limitado, tanto para o lado islâmico como para os nazifascistas que fazem do medo a sua possibilidade de êxito eleitoral.

Em muitos países, torna-se necessário proibir todas as organizações radicais, tanto da direita nacional como dos emigrantes de qualquer tipo.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por DD às 18:19


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Março 2019

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31