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Guerra, Estratégia e Armas



Segunda-feira, 31.08.15

Ucrânia e a Rússia

 

A comparação de forças entre a Rússia e a Ucrânia fazem deste último país um David frente a um gigantesco Golias.

Os combates  na região de Donetzsk reacenderam-se, apesar do acordo de cessar fogo de Minsk. Os Russo disfarçados de rebeldes, mas armados com o mais moderno armamento, tentam entrar em Mariopol para estabelecerem um corredor por terra em território ucraniano até à Península da Crimeia que foi conquistada sem pudor alguma pelas forças russas.

A lição geoestratégica a tirar, uma infeliz lição aliás, é que nenhuma nação com algum significado e interesse para outra tem de possuir armas nucleares ou estar numa aliança do tipo Nato em que um grande grupo de nações estão ligadas por um pacto de defesa comum, tendo três dessas nações armas nucleares em grande quantidade, os EUA, Reino Unido e França.

A Ucrânia cometeu o grande erro de retirar do seu solo os mísseis com ogivas nucleares que possuíam em grande quantidade nos tempos da URSS e entregou-os à Federação Russa como sinal de que a sua independência nunca iria colocar em causa a segurança da Rússia. Efetivamente assim aconteceu, mas acabou por ser a segurança e soberania da Ucrânia a ser ameaçada.

A Ucrânia aceita um ampla autonomia nas regiões com habitantes russos desde que declarada em votação democrática e com representação parlamentar e governamental ucraniana, dado viverem na bacia de Donetzsk, que está em causa, cerca de 40 a 50% de ucranianos.

A autonomia não significa que a Ucrânia prescinda de ter a guarda da fronteira com o exterior, isto é, a Rússia.

Outro dos problemas da Ucrânia é que o Ocidente não tem reservas em armas suficientes para abastecer a Ucrânia e criar algum equilíbrio.

A única hipótese em caso de guerra seria o fornecimento de grande número de mísseis antitanques e antiaéreos, nomeadamente os "Patriot" americanos, mas no caso de um ataque relâmpago dos Russos contra a Ucrânia seria difícil fazer chegar com rapidez e treinar o respetivo pessoal em coisa de diasa ou horas.

A propósito do armamento atómico, recordemos que houve várias guerras entre a Índia e o Paquistão por causa de Caxemira, mas a partir do momento em que ambas as nações possuem armas nucleares deixou de haver mais conflitos, salvo alguns pequenos atentados terroristas que parecem nem ter origem nos respetivos Estados. 

 

 

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por DD às 18:44

Sábado, 22.08.15

Dieter Dellinger: Perigo de Guerra na Coreia

 

Kim Yon JUNG - O ditador Cebola segundo humoristas americanos

 

A Coreia do Norte terá colocado uma mina terrestre na zona de patrulhamento dos soldados sul coreanos na fronteira ao longo do célebre paralelo 38 e, em retaliação, os sul-coreanos colocaram de nova a funcionar as suas torres fronteiriças com múltiplos alto-falantes que emitem propaganda anti comunista e que estavam calados há onze anos. A Coreia do Norte já fez uma espécie de ultimato aos sul-coreanos: ou se calam ou o Norte entra em guerra com o seu exército de 650 mil a um milhão de homens e mulheres.

Contudo, ninguém acredita na jactância norte coreana dada a sua fraca potencialidade aérea, mesmo, com a posse de mísseis de curto, médio e, talvez, longo alcance. O material aéreo e terrestre é profundamente “geriátrico”.

O melhor que os coreanos do Norte possuem são uns 17 a 20 Migs 27, dos quais uma parte de geometria variável que servem bem para ataques ao solo. O pai ou o avô do atual ditador terá comprado mais aviões desse tipo e de grande qualidade desmontados, parecendo que nunca os montaram para poderem aproveitarem os seus componentes na modernização do atuais aviões e, de acordo, com a espionagem por satélite têm voado pouco para serem poupados, pelo que os pilotos não possuem grande treino. Para além disso, a Coreia do Norte ainda faz voar uns velhíssimos Mig 17 e Mig 21 de construção chinesa que para pouco servem. É certo que a força aérea do Coreia do Sul não é muito moderna com mais de uma centena de F-16 de diversos blocos e uns 60 F-15 também com mais de uma ou duas décadas de existência.

No fundo, em caso de conflito, o que interessa é a capacidade dos mísseis ar-ar e ar-solo de que ambas as Coreias possuem uma certa quantidade, mas nada de novo. Só que em caso de conflito, a força aérea norte-americana seria capaz de fornecer material muito moderno antiaéreo, incluindo os mísseis Patriot que tanto abatem aviões como mísseis, pelo que dizem. O material terrestre de ambas as Coreias é numeroso, sendo o sul coreano muito mais moderno e de fabrico nacional como o seu tanque mais antigo K1 e o supermoderno K2 de que estão operacionais poucas unidades. Os sul-coreanos tiverem problemas com os motores diesel de 800 cv pelo que adquiriram motores alemães MTU.

Os norte-coreanos procuram aperfeiçoar as suas bombas nucleares que muita gente acredita terem e que duvidam que possuam ainda lançadores para as mesmas. Ao mesmo tempo experimentam os seus mísseis, tendo recentemente afirmado que dispararam um míssil balístico a partir de um submarino no passado dia 9 de Maio, o que foi desmentido pelos sul-coreanos que dizem que os seus radares indicaram três lançamentos a partir do solo. O submarino com 1.500 toneladas de deslocamento não representa qualquer perigo para os EUA, mas pode tornar difícil uma retaliação ou ataque preventivo da Coreia do Sul às instalações atómicas do norte da península coreana. Saliente-se ainda que os mísseis balísticos norte coreanos utilizam combustível líquido, o qual é de difícil manuseamento em solo fixo quanto mais numa plataforma instável como um submarino. Para o miúdo ditador norte coreano, o momento para uma guerra seria ainda o atual, dado que a modernização do potencial bélico das duas coreias mal começou, mas consta que a sua fúria deve-se ao "bulling" jornalístico americano, sul-coreano e até chinês que o tem ridicularizado com o títulos de presidente ou marechal cara de Cebola e como sendo o homem mais sexi do Mundo e arredores..

O sul encomendou aos americanos o sistema antimíssil “Kil Chain” que funciona com base num satélite geoestacionário de observação e em vários drones do tipo Hale e Male. A esta capacidade baseada em armas de grande precisão acrescenta-se os atuais mísseis “Patriot PAC 3”em rede com os KM-SAM (Cheolmac 2).

O problema da Coreia do Norte é que neste ano de seca e fome, é preciso distrair a população com o perigo de guerra ou mesmo com uma guerra pois as ditaduras, principalmente, as comunistas têm na Paz o seu inimigo principal. Sem a luta de classes interna ou externa, o comunismo não se justifica como ditadura férrea. Mas, a Coreia do Norte não tem os aliados dos tempos de guerra da Coreia em 1950. A China que continua a dar algum apoio à Coreia do Norte seria capaz de sofrer graves sanções se os norte-coreanos atacassem novamente o sul. Estando em vias de ser o maior exportador mundial, os chineses estão dependentes da boa vontade dos EUA e União Europeia que, juntos, possuem um PIB superior a 50% do mundial, não se podendo dar ao luxo de perder o seu comércio para apoiar um “puto ditador” maluco. A Federação Russa não tem qualquer razão para ver algo no miúdo e no seu regime dinástico que não tem dinheiro para pagar armamentos. Fora disso, talvez o Estado Islâmico possa ser um aliado, mas a distância é tão grande como se não existisse. Por sua vez, a Coreia do Sul pode contar com o apoio em material bélico e até em forças militares dos EUA e se entrasse em causa a bomba atómica norte-coreana também o Japão não iria autorizar disparos nucleares à sua porta. O disparo de uma bomba sobre a Coreia do Sul acarretaria a destruição de todos os equipamentos militares norte-coreanos.

Os EUA dispõem de 4 mil bombas B-61 de capacidade explosiva variável que vai de 1 a 5% do poder da bomba de Hiroshima até 10 vezes mais. A mais perigosa é a bomba pequena que serve para destruir bases aéreas sem grandes danos colaterais, instalações de fabrico de armas nucleares subterrâneas e concentrações de forças blindadas, de artilharia ou infantaria. As cidades não seriam atacadas, mesmo que alberguem forças militares e armamentos poderosos. Mas, para fazer guerra, essas forças terão de sair para o exterior e aí estariam à mercê das B-61 que podem ser lançadas de um F-16, F-15, F-18 e dos recentemente em vias de introdução F-35. A polemologia como ciência da racionalidade e irracionalidade da guerra mostra-nos pela história muitas guerras irracionais, os alemães que o digam, e o VI. Volume da biografia de Hitler distribuído pelo Expresso é muito elucidativo sobre isso. Daí que ninguém pense que da Coreia do Norte não possam surgir atos de loucura. O miúdo funciona mal e os geriátricos generais carregados de medalhas são tão fanáticos que nunca tiveram um pingo de bom senso. Se alguém alguma vez foi racional naquele país, deve estar há muito bem enterrado e crivado de balas. Uma guerra na Coreia teria as botas dos coreanos no solo e os aviões, mísseis de cruzeiro e drones americanos no ar. Com 10 porta-aviões e bases no Japão, os EUA põem com facilidade mais de mil aviões no ar e outros tantos mísseis e drones.

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por DD às 00:03

Segunda-feira, 10.08.15

A Estratégia Russa

 

 

 

O general Viktor Boundarev, comandante da VVS-Força Aérea Russa confirmou as afirmações anteriores do seu ministro da Defesa de que a Federação Russa vai encomendar 50 novos bombardeiros supersónicos com grande poder de transporte de bombas nucleares e convencionais e capaz de um imenso alcance que já chegou aos 18 mil quilómetros, mas não carregado com bombas e de atingir uma velocidade de 2,1 Mach. Apesar de ser um avião antigo, desenvolvido no fim dos anos sessenta em plena época da guerra fria, do qual a então URSS chegou a adquirir 36 unidades, dispondo hoje de 15 que têm estado a ser modernizadas lentamente desde 2008. Os novos T-160 continuarão a ter asas de geometria variável e serem aparentemente iguais aos B-1 americanos, mas maiores. Os reatores serão de modelo novo tipo NK-32, mais potentes e mais leves e a aviónica é completamente nova, já que o setor que mais evoluiu foi o da eletrónica, nomeadamente da aparelhagem de navegação. O primeiro voo dos novos aviões está previsto para 2019 e a entrada em serviço entre 2023 e 2025. Ao mesmo tempo é que é anunciada a entrada em serviço desse avião, os russo anunciaram a construção de uma versão melhorada dos mísseis móveis de curto alcance SS-23 Spider capazes de atingir alvos a 400 km, segundo os russos, ou a 500 ou mais na opinião dos americanos.

 

Todos os SS-23 foram destruídos na sequência do Tratado sobre as Forças Nucleares de Alcance Intermédio assinado em 1987 e que dizia respeito a mísseis com alcances superiores a 500 km. Os SS-23 destinavam-se antes dessa data a substituírem os então já velhos Scud-B que foram exportados para muitos países como Iraque, Alemanha de Leste, Bulgária, etc. e que serviram para que países como a Coreia do Norte, China e Irão fizessem cópias não muito perfeitas. O ministro da Defesa da federação Russa também informou que tencionava colocar em serviço 40 novos mísseis balísticos intercontinentais, ICBM. Juntamente com os novos tanques T-14 Armata, a federação Russa mostra ter uma estratégia militar que, como qualquer verdadeira estratégia, é filha de um projeto político, o de reconstituir no todo ou em parte a antiga União das Repúblicas, já não soviéticas, mas capitalistas.

O armamento de alcance longo e intermédio serve para meter medo à Europa ou à Nato no sentido de se manterem afastados daquilo que é o inimigo principal da Federação Russa sob Putin, a Ucrânia, cujos territórios habitados por uma população russa quase maioritária deveriam tornar-se em regiões autónomas integráveis na Federação Russa.

Relativamente à Europa e aos EUA, a Federação Russa tem a vantagem de ter uma estratégia e um objetivo político e militar, enquanto os europeus não pretendem morrer pela Ucrânia, pelo Azerbeijão, Bielo-Rússia, Arménia, etc. Por isso, os países da União Europeia e os EUA não estão preparados para qualquer conflito e não possuem jovens em quantidade suficiente para defenderem a independência de Repúblicas completamente estranhas. Também já não dispões de armamentos dispensáveis para entregar a esses países em grande quantidade.

Estava mesmo em curso, acabar de vez com os grandes blindados. A Holanda e a Bélgica desfizeram-se dos seus Leopard-2, tendo os holandeses vendido a Portugal 27 unidades que de acordo com informações colhidas de pessoal em serviço em Santa Margarida só dois ou três funcionam, estando os outros á espera de sobresselentes para os quais não há dinheiro para comprar. A Alemanha colocou numa reserva quase sucata cerca de mil Leopards-2, ficando com cerca de 230 operacionais. Alguns dos carros de combate dessa reserva estão a regressar à fábrica para serem reconstruídos. Mesmo que sejam ainda armas poderosas são antiquadas e o fabricante já trabalha no Leopard 3, provavelmente com torre automática e dois tripulantes apenas, o condutor e o atirador que utilizará um monitor TV para ver o exterior a apontar o canhão que poderá disparar balas auto-propulsionadas contra tanques e aviões.

Mas, como dizia a estratégia militar é filha da vontade política e da economia e, nesse aspeto, a Federação Russa encontra-se em maiores dificuldades. Os russos consagram 5,85% do seu Pib às forças armadas este ano, calculando um Pib inferior em 3% ao de 2014. Contudo, a queda continuada dos preços do petróleo e as sanções aplicadas pela Europa Ocidental à Federação Russa que também é Europa apontam para uma queda superior. A Rússia não vai construir rapidamente os 2.400 tanques T-14e que necessita para se tornar invencível em relação ao seu império de nações na prisão como as denominava Lenine antes da Revolução de Outubro, tendo feito depois tudo para que continuassem presas. A sua força reside na inação europeia que tem de resolver os seus problemas económicos, incluindo os da periferia e não dispensar uma país da linha da frente sul como a Grécia por causa de questiúnculas ideológicas e de 2 a 3% do PIB da zona euro. Não se pode ser estúpido como Schaeuble e Merkel.

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por DD às 00:00

Quinta-feira, 06.08.15

Há 70 ANOS O AUSCHWITZ AMERICANO

 https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSiXAyMkRv-l4taySbVlc1myfcP0Oi3urhndlFoHeeJGFGrZ4K3SQ

 Bomba "Little Boy" utilizada em Hiroshima

 

 

Faz hoje 70 anos que os americanos realizaram o primeiro dos seus dois "Auschwitz" ao lançarem a bomba atómica de urânio sobre Hiroshima. Três dias depois lançaram sobre Nagasaqui a bomba nuclear de plutónio. A história é sempre uma realidade contada depois segundo as conveniências de cada um. O presidente Rosevelt tomou a decisão de mandar construir bombas atómicos em 1939, antes da guerra começar, na sequência de duas cartas assinadas por Albert Einstein. Nessa altura. apenas uma meia dúzia de físicos no Mundo admitiam a possibilidade de concretizar a primeira reação entre núcleos de átomos e não entre átomos através das suas camadas externas de eletrões que são as reações químicas conhecidas, incluindo as dos explosivos ditos convencionais. O físico alemão Otto Hahn tinha descoberto numa pequena experiência laboratorial que elementos altamente radioativos poderiam reagir em cadeia com grande produção de energia, o que foi do conhecimento da sua assistente judia que fugiu para os EUA e falou sobre a descoberta com um conjunto de físicos igualmente refugiados nos EUA. Roosevelt nada percebia de física, mas perguntou a várias pessoas quem era esse signatário de nome Albert Einstein. Disseram-lhe que era um físico já premiado com dois prémios Nobel. Sendo assim, pensou Roosevelt, o que o homem escreve deve ser verdade e reuniu Einstein com o general Grooves encarregado das pesquisas do exército americano e físicos como Oppenheimer e outros. Todos concordaram que havia alguma possibilidade de se construir uma bomba capaz de destruir uma cidade inteira e, a partir daí surgiu o projeto Manhatan que chegou a envolver 150 mil pessoas empenhadas em construir tanto a bomba de urânio U 238 altamente enriquecido em U-235 radioativo como a de plutónio Pu 239 muito radioativo. As duas bombas significam o maior crime cometido contra a Humanidade e a partir daí nunca mais a espécie humana deixou de se sentir segura. A qualquer momento pode surgir uma guerra que envolva bombas nucleares muito mais desenvolvidas, incluindo as de hidrogénio com poder destrutivo superior a 50 megatoneladas de explosivos convencionai. O tipo de bomba utilizada em Nagasaqui há 70 anos nunca foi testado e pode dizer-se que a explosão foi um "milagre" a demonstrar a ausência de Deus no sentido de ter produzido um ser, o "homo sapiens", à sua imagem e semelhança. Efetivamente a bomba denominada "Little Boy" continha 600 kgs de Urânio U-238 altamente enriquecido com o seu isótopo U-235 que é radioativo, isto é, emite neutrões do seu núcleo instável. A ideia inventada pelos cientistas nos EUA era de que comprimindo duas meias massas críticas uma contra a outra por via de explosivos convencionais a densidade física do material seria tal que a emissão de neutrões iria provocar uma reação em cadeia de tal ordem que provocaria uma explosão impensável até à data. Cálculos e experiência posteriores demonstraram que a fissão do urânio da bomba de Nagasaqui se verificou apenas em 60 gramas do material nuclear porque a explosão dessa pequena quantidade dispersou mais meia tonelada de material radioativo. Os americanos não só não se arrependeram desses dois crimes como desataram a aperfeiçoar as suas bombas e construíram milhares de ogivas de todos os tamanhos e potências, incluindo a famosa bomba B-61 com 3 metros de comprimento e pouco mais de 30 cm de largura de que possuem um stock de 4 mil unidades e que podem ser lançadas de um caça F-16 como de qualquer míssil de cruzeiro ou balístico. A bomba B-61 pode levar material cindível para produzir uma explosão superior a 10 vezes a da Nagasaqui e igualmente para produzir uma pequena explosão inferior a 5% do poder da "little boy" para ser utilizada numa guerra quase convencional para destruir bases aéreas, concentrações de artilharia ou blindados, etc. Os alemães chegaram a pensar na bomba atómica, mas os aliados sobrevoavam as minas de urânio na região do Harz e nunca detetaram uma atividade de extração do minérios que contêm urânio em quantidade suficiente para fazerem bombas. Os alemães também nunca se lembraram que criar a massa crítica com explosivos convencionais. Chegaram a planear uma bomba com o Urânio envolto em cera que rebentaria no choque com a terra quando lançada num foguetão V2. Os americanos experimentaram essa solução e não deu nenhuma explosão. Os grandes físicos alemães nunca estiveram com Hitler e não se esforçaram por lhe colocar algo tão perigoso nas suas mãos. Alguns físicos fizeram poemas em honra da bomba, mas o britânico Kenneth Bainbridge, numa tentativa de ser menos poético, ou talvez ainda mais, terá replicado: "Agora somos todos filhos da puta" (no original "Now we are all sons of bitches"). https://www.facebook.com/photo.php?fbid=860222037398913&set=gm.906943046063626&type=1 Faz hoje 70 anos que os americanos realizaram o primeiro dos seus dois "Auschwitz" ao lançarem a bomba atómica de urânio sobre Hiroshima. Três dias depois lançaram sobre Nagasaqui a bomba nuclear de plutónio. A história é sempre uma realidade contada depois segundo as conveniências de cada um. O presidente Rosevelt tomou a decisão de mandar construir bombas atómicos em 1939, antes da guerra começar, na sequência de duas cartas assinadas por Albert Einstein. Nessa altura. apenas uma meia dúzia de físicos no Mundo admitiam a possibilidade de concretizar a primeira reação entre núcleos de átomos e não entre átomos através das suas camadas externas de eletrões que são as reações químicas conhecidas, incluindo as dos explosivos ditos convencionais. O físico alemão Otto Hahn tinha descoberto numa pequena experiência laboratorial que elementos altamente radioativos poderiam reagir em cadeia com grande produção de energia, o que foi do conhecimento da sua assistente judia que fugiu para os EUA e falou sobre a descoberta com um conjunto de físicos igualmente refugiados nos EUA. Roosevelt nada percebia de física, mas perguntou a várias pessoas quem era esse signatário de nome Albert Einstein. Disseram-lhe que era um físico já premiado com dois prémios Nobel. Sendo assim, pensou Roosevelt, o que o homem escreve deve ser verdade e reuniu Einstein com o general Grooves encarregado das pesquisas do exército americano e físicos como Oppenheimer e outros. Todos concordaram que havia alguma possibilidade de se construir uma bomba capaz de destruir uma cidade inteira e, a partir daí surgiu o projeto Manhatan que chegou a envolver 150 mil pessoas empenhadas em construir tanto a bomba de urânio U 238 altamente enriquecido em U-235 radioativo como a de plutónio Pu 239 muito radioativo. As duas bombas significam o maior crime cometido contra a Humanidade e a partir daí nunca mais a espécie humana deixou de se sentir segura. A qualquer momento pode surgir uma guerra que envolva bombas nucleares muito mais desenvolvidas, incluindo as de hidrogénio com poder destrutivo superior a 50 megatoneladas de explosivos convencionai. O tipo de bomba utilizada em Nagasaqui há 70 anos nunca foi testado e pode dizer-se que a explosão foi um "milagre" a demonstrar a ausência de Deus no sentido de ter produzido um ser, o "homo sapiens", à sua imagem e semelhança. Efetivamente a bomba denominada "Little Boy" continha 600 kgs de Urânio U-238 altamente enriquecido com o seu isótopo U-235 que é radioativo, isto é, emite neutrões do seu núcleo instável. A ideia inventada pelos cientistas nos EUA era de que comprimindo duas meias massas críticas uma contra a outra por via de explosivos convencionais a densidade física do material seria tal que a emissão de neutrões iria provocar uma reação em cadeia de tal ordem que provocaria uma explosão impensável até à data. Cálculos e experiência posteriores demonstraram que a fissão do urânio da bomba de Nagasaqui se verificou apenas em 60 gramas do material nuclear porque a explosão dessa pequena quantidade dispersou mais meia tonelada de material radioativo. Os americanos não só não se arrependeram desses dois crimes como desataram a aperfeiçoar as suas bombas e construíram milhares de ogivas de todos os tamanhos e potências, incluindo a famosa bomba B-61 com 3 metros de comprimento e pouco mais de 30 cm de largura de que possuem um stock de 4 mil unidades e que podem ser lançadas de um caça F-16 como de qualquer míssil de cruzeiro ou balístico. A bomba B-61 pode levar material cindível para produzir uma explosão superior a 10 vezes a de Hiroshima (200 kilotoneladas equivalentes de explosivo convencional) igualmente para produzir uma pequena explosão inferior a 5% do poder da "little boy" (5 kilotoneladas) para ser utilizada numa guerra quase convencional para destruir bases aéreas, concentrações de artilharia ou blindados, etc.

Os alemães chegaram a pensar na bomba atómica, mas os aliados sobrevoavam as minas de urânio na região do Harz e nunca detetaram uma atividade de extração do minérios que contêm urânio em quantidade suficiente para fazerem bombas. Os alemães também nunca se lembraram que criar a massa crítica com explosivos convencionais. Chegaram a planear uma bomba com o Urânio envolto em cera que rebentaria no choque com a terra quando lançada num foguetão V2. Os americanos experimentaram essa solução e não deu nenhuma explosão. Os grandes físicos alemães nunca estiveram com Hitler e não se esforçaram por lhe colocar algo tão perigoso nas suas mãos. Alguns físicos fizeram poemas em honra da bomba, mas o britânico Kenneth Bainbridge, numa tentativa de ser menos poético, ou talvez ainda mais, terá replicado: "Agora somos todos filhos da puta" (no original "Now we are all sons of bitches").

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por DD às 22:34


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