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Guerra, Estratégia e Armas



Sábado, 28.03.15

"Tempestade de Decisão" é Nome de Guerra da Aliança dirigida pelos Sauditas contra os Huthis do Jémen

Huthis quando atacaram o Palácio Presidencial do velho Ditador do Iémen 

 

A Arábia Saudita imitou as táticas dos americanos na sua ofensiva contra os xiitas Huthis que, entretanto avançam para o Sul, nomeadamente para conquistarem a segunda maior cidade do Iémen, onde se refugiou o deposto presidente, agora no Egito na reunião da Liga Árabe.

Os sauditas designaram a sua ofensiva aérea de “Tempestade de Decisão” e aliaram-se com vários países vizinhos e amigo sunitas árabes, formando uma aliança de 10 nações que têm estado a bombardear posições Huthis com 185 aviões, dos quais se salientam os poderosos F-15, Tornados e Eurofighters da Arábia Saudita, o país mais bem armado da região. Estes aviões destruíram já quase todo o potencial antiaéreo dos Huthis que incluía alguns mísseis fornecidos pelo Irão.

Tudo indica que se trata de preparativos para um ataque do norte com 150 mil sauditas e um desembarque a sul com fuzileiros navais egípcios protegidos pela respetiva marinha de guerra.

Os iranianos protestam, já que foram eles que financiaram e armaram os Huthis em aliança com milícias Al-Qaeda.

No caso de se iniciarem as operações terrestres teme-se que os iranianos queiram bloquear o Estreito de Ormuz, utilizando minas e pequenas vedetas rápidas portadoras de mísseis antinavios e antiaéreas.

Os helicópteros dos porta-aviões americanos podem detetectar com facilidade as minas e destrui-las, mas leva o seu tempo, principalmente se o números desses objetos letais for muito elevado. Além disso, as bases das pequenas vedetas iranianas podem ser facilmente bombardeadas, mas basta pôr a arder um ou dois petroleiros para que a navegação seja suspensa enquanto durarem as operçaões militares.

Considerando o elevado número de petroleiros que passa diariamente com petróleo do Kuwait, Emiratos, Irão e Arábia Saudita admite-se que haja uma subida quase explosiva do preço do barril, a qual “pagará” certamente a guerra, salvo as vidas humanas perdidas para sempre.

 

 

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por DD às 21:07

Sexta-feira, 27.03.15

Dieter Dellinger: Caos no Médio Oriente e Península Arábica

 

Soldado Saudita com a arma automática alemã G-36 

 

 

No Médio Oriente parece que todos combatem todos. Por um lado, o Estado Islâmico procura pelo terrorismo derrotar os governos da Síria e Iraque, apoiando-se nos sunitas que foram sempre explorados pelos xiitas, portanto do culto observado pelo Irão, apesar de serem maioritários no Iraque e minoritários na Síria onde detiveram o poder através da ditadura dinástica dos Assad.

A norte, os curdos procuram a independência em combate contra o terrorismo islâmico e a sul, os iranianos apoiam o governo iraquiano que pretende ser representativo de xiitas e sunitas e até curdos numa nação quase laica que é algo que sunitas, xiitas e terroristas islâmicos não querem.

Se a norte a guerra continua com violência, apear do abrandamento do avanço em Tikrit para evitar baixas excessivas, a sul da Arábia Saudita rebentou um novo conflito com o golpe de estado da minoria xiita do Iémen que expulsou do seu palácio em Samarra o presidente Abd Rabbu Haddi, agora refugiado na cidade portuária de Áden, declarada entretanto capital o Iémen pelo presidente deposto.

O Iémen é um país árido e pobre com 23 milhões de habitantes em cerca de 527 mil km2, que quase não conheceu a Paz interna desde a independência da parte sul que estava na posse da Inglaterra.

Os aviões do CCG “Conselho de Cooperação do Golfo” ( Arábia Saudita, Emiratos, Kuweit, etc.) bombardearam posições dos rebeldes xiitas Houthi do Iémen para evitar o seu avanço para sul com a consequente conquista de Áden. Estes rebeldes são apoiados pelo Irão que sonha em tirar aos sunitas waabitas da Arábia Saudita o domínio da península árabe com as cidades Santas de Meca e Medina, onde o profeta Maomé deu a conhecer a palavra de Alá. Por outro lado, também os terroristas do “Estado Islâmico” acalentam o sonho de dominarem as referidas cidades. Para todos, o chamado “Vaticano” dos muçulmanos é de importância vital, mas está desde há muito nas mãos da monarquia saudita que entronou um novo monarca, Salman bin Abdulaziz, ex-ministro da Defesa, em cujo ministério colocou o seu jovem filho de 34 anos, mostrando que os assuntos militares continuam de certo modo a ser decididos pelo novo monarca saudita que não é uma figura decorativa como nas monarquias europeias, mas sim o governante máximo não eleito. Rei pela graça de Alá.

Desde as incursões dos xiitas Houthi contra a capital do Iémen, Samarra, que os sauditas iniciaram medidas defensivas na sua longa fronteira de 1.700 km com o seu vizinho a sul e começaram a construir uma barreira separadora semelhante à que têm com o Iraque. Isto mostra que os sauditas, aliados dos EUA, não têm pretensões expansionistas, mas não querem ser conquistados pelo Irão através de forças terroristas. Contudo, segundo o atual ministro da Defesa, a barreira ainda levará uns dois anos ou mais a ser concluída por passar por zonas montanhosas e áridas de difícil acesso em que muitas tribos passam de um lado para outro nas suas atividades normais.

Os sauditas, para já, cessaram toda a ajuda financeira ao Iémen semigovernado pela minoria Houthi, pelo que deverá ser o Irão a ser o financiador de um estado sem petróleo significativo e sem condições agrícolas suficientes.

Surgiu, portanto, uma situação mais conflitual que no passado recente entre sunitas árabes e xiitas iranianos e árabes também, o que levou o petróleo a subir de preço, dado tratarem-se de grandes produtores do ouro negro. O conjunto Concelho de Cooperação do Golfo mais o Irão devem extrair mais de metade do petróleo mundial.

Saliente-se ainda que o Iémen domina o estreito de Bad al-Mandab de entrada no Mar Vermelho desde o Índico e que possui uma importância vital no tráfego, tendo do outro lado do estreito a pequena República do Djubi e o Estado falhado que é a Somália. Trata-se pois de uma zona de pirataria marítima, agora mais reduzido devido à presença constante de navios de guerra de diversas nações.

As nações do CCG estão fortemente armadas com o que há de melhor. As tropas da Arábia Saudita utilizam a arma automática alemã G-36 que é aí fabricada sob licença e a pistola-metralhadora P-1, além de tanques Leopard 2, aviões F-16 e Eurofighters que parece que ainda foram utilizados.

Os sauditas dispõem de 150 mil homens bem equipados e prontos a penetrarem no Iémen, sendo pouco provável que o Irão consiga levar rapidamente uma força semelhante para a região, tanto mais que os sauditas têm como aliados o Egito, a Jordânia e o Paquistão, além dos países do Golfo.

O Irão antes de ter a bomba atómica não se vai meter em aventuras militares diretas, só que depois de a ter os EUA podem fornecer aos seus aliados a bomba B61 bem antiga, mas que pode levar quantidades mínimas de urânio cindível e trítio fundível de modo a produzir explosões inferiores a 10% da produzida pela bomba de Hiroshima, o que em regiões desérticas será suficiente para eliminar unidades militares, mas não para causar grandes danos colaterais, nomeadamente vítimas civis.

Mas, de qualquer modo, a utilização da arma nuclear será sempre um suicídio mútuo porque qualquer ataque inicial seria seguido de retaliações e existem armas suficientes para tornar impossível qualquer ameaça credível e, menos ainda, conseguir algum resultado prático.

 

 

 

 

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por DD às 17:03

Segunda-feira, 23.03.15

Dieter Dellinger: Jipe Iraniano Safir

 

 

O interesante jipe da foto é um Safir construído no Irão pela Fath Vehicle Industries com motor Nissan Z24 a gasolina de 105 cv. Com lança roquetes ou canhão sem recúo de 106 mm faz parte da ideia tática de que a melhor proteção é a velocidade e manobralidade no terreno, pelo que acompanha bem as "pick ups" muito utilizadas em operações em zonas áridas como as do Iraque.

A empresa Fath Vehicle pretende construir 5 mil unidades este ano.

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por DD às 23:00

Segunda-feira, 23.03.15

Dieter Dellinger: Jihadistas cercados em Tikrit

 

 Tropas Iraquianas na Viatura Ligeira Humvee para todo o serviço de fabrico americano

 

A batalha pela libertação da cidade iraquiana de Tikrit, conquistada pelo Estado Islâmico, sofreu um abrandamento por ordem do ministro do Interior Mohammed al-Ghabban para evitar um número excessivo de baixas.

 Os islâmicos estão entrincheirados na zona do palácio do Sadam Hussein e têm toda a área em volta minada e cheia de armadilhas explosivos e os atiradores furtivos estão escondidos por toda a parte.

 Contudo, os jihadistas estão cercados e, como tal, desprovidos de abastecimentos em munições e sabe-se como as armas automáticas Kalashnikovs e metralhadoras ligeiras consomem uma quantidade incrível de balas.

No centro de Tikrit já só devem estar uns 100 combatentes islâmicos a resistirem ao avanço do exército iraquiano e das milícias aliadas. O problema das colunas que avançam são as minas e bombas colocadas um pouco por toda a parte e que têm de ser retiradas previamente.

Apoiado pelas milícias populares xiitas, o exército iraquiano está apostado em recuperar para a sua República a cidade natal de Saddam Hussein das mãos dos extremistas sunitas do autoproclamado Estado Islâmico.

As forças iraquianas são apoiadas também pelas Brigadas da Paz do líder xiita Moqtada al-Sadr.

Esta é a ofensiva mais ambiciosa até agora lançada pelas autoridades iraquianas para reconquistar os territórios ocupados desde o verão de 2014 pelos djihadistas.

Depois de Tikrit, a 160 km a norte de Bagdad, o próximo alvo será Mossul, segundo os responsáveis militares iraquianos.

Ao todo, na batalha contra os extremistas em Tikrit estão envolvidos mais de 30 mil combatentes.

Da acordo com Karim al-Nouri, porta-voz das milícias xiitas, participam nestas operações 40 conselheiros militares iranianos, um apoio que já mereceu críticas indiretas do governo saudita.

Os islâmicos estão também sob ataque cerrado, a norte, de milícias xiittas e forças curdas, que se batem pela cidade petrolífera de Kirkuk.

A principal refinaria de petróleo que estava na posse dos extremistas islâmicos foi destruída pela aviação aliada, deixando os jihadistas sem uma importante fonte de dinheiro e combustível..

 

 

 

 

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por DD às 22:44

Domingo, 22.03.15

Dieter Dellinger: Quatro Anos de Guerra na Síria

 

 

A guerra na Síria começou há quatro anos, em Março de 2011, e causou cerca de 220.000 mortos e quatro milhões de refugiados com a destruição de numerosas cidades. A Síria já nem um país é, está dividido em feudos de grupos armados e da parte do presidente Assad não há sequer a procura de uma solução.

O curioso é que tudo começou com uns grafitis feitos por adolescentes de 15 a 17 anos. Escreveram numa parede da cidade de Deraa a seguinte frase: “O povo quer a queda do regime”.

Tinham ouvido isso na televisão acerca da Tunísia. Os miúdos foram presos pelo chefe da polícia local, o primo Atef Najib do ditador Baschar al-Assad que os mandou torturar.

Para azar de al-Assad, os pais ficaram indignados e eram figuras importantes numa das tribos do sul da Síria. Quando foram à prisão, o chefe da polícia mandou-os para a casa e disse que fizessem novos filhos. A ofensa foi transmitida aos membros da tribo e desencadeou as primeiras demonstrações, as quais não foram telecomandadas pelos EUA, como dizem os comunistas, ou pela Nato ou Europa. Ninguém fora da Síria teve algo a ver com os grafiti dos rapazes e com a revolta da sua tribo que se estendeu a outras em quase todo o País.

É preciso salientar que a ditadura dinástica dos Assad baseava-se num grupo étnico minoritário, os alauitas, que detinham os postos principais na administração, nas forças armadas e até nos negócios. É algo que os portugueses não entendem porque sempre viveram num país unitário em que ser do Algarve ou do Minho não tem a mais pequena importância.

Os protestos das populações deveriam ser reprimidos pelo exército, mas aconteceu que numerosas unidades e oficiais juntaram-se aos protestos e formaram um Exército Rebelde que desencadeou a guerra civil. A repressão das forças leais a Assad foi tenebrosa, principalmente da parte da Força Aéreo que bombardeou todas as cidades rebeldes, incluindo os arredores da capital da Síria, Damasco, causando uma mortandade sem fim. A Al Qaeda meteu-se no conflito e daí saíram os defensores de um Estado Islâmico que pretende também abranger o Iraque que já está parcialmente ocupada.

Toda a classe média síria fugiu do país e as tropas de Assad não conseguem sequer desalojar as forças rebeldes que ocupam os arredores da capital e, por isso, foram bombardeadas com gás tóxico que matou milhares de civis. Aí é que se deu a única intervenção dos EUA ao obrigarem Assad a entregar à marinha americana todas as suas bombas de gás sob a ameaça de destruírem o potencial aéreo do execrando ditador. Para além disso, não quiseram fazer mais nada.

Obama não quer outro Iraque e assim a guerra na Síria prossegue sem solução. Assad é abastecido pela Rússia que começa a enfrentar sérias dificuldades económicos devido à queda do petróleo. A economia síria não existe mais. Assad está barricado nos bunkers do seu palácio e as suas tropas ocupam apenas algumas poucas cidades e áreas do país.

Assad não aceita um acordo com o já fraco exército rebelde e sair do poder para que se encontre uma figura consensual que permita combater o Califado Islâmico e obter apoio dos EUA e Europa.

Os cadáveres dos civis mortos pelo gás tóxico lançado pelos aviões às ordens do ditador Assad.

Curiosamente, os jovens das classes mais ricas da Síria que tinham os seus fundos no Líbano e aí refugiaram-se, encontrando-se nos bares adeptos de ambos os lados da guerra e convivência fraterna e namorando até. Só s mais pobres é que vegetam à conta das Nações Unidas nos campos de refugiados na Jordânia, Líbano e Turquia.

 

 

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por DD às 21:41


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